
“Um bom editorial deve informar sem afogar. Deve motivar a agir sem ser ditatorial. Deve iluminar sem ser dogmático, preconceituoso ou egocêntrico. Por último, e provavelmente o mais importante, um bom editorial deve ser breve.”
Quais são as qualidades que distinguem um bom editorial? Existem certos atributos essenciais? O que um bom editorial deve levar ao leitor, e o que não?
Estas são algumas questões cruciais que todo editor deve considerar!
Formador de opinião, reconciliador e equilibrado
O primeiro critério é que um bom editorial seja um formador de opinião e, para isso, é essencial que seja baseado em evidências!
Assim, espera-se que um bom editorial inclua:
- Análise das evidências, ao invés de produzi-las.
- Avaliações objetivas, como aquelas realizadas na sessão de ‘resultados e discussão’ de artigos científicos. No entanto, vai além de uma simples análise, pois o editorial deve necessariamente expressar uma opinião.
- Revisões críticas de diferentes opiniões, análises e evidências, mantendo o equilíbrio e tentando formular pontos de vista com base em opiniões divergentes. Se trouxer uma perspectiva inovadora sobre um problema, melhor ainda!
- Informações, eventos e questões recentes, contemporâneas, mas sem ser populista.
Portanto, um editorial contundente é legítimo e reconcilia posições aparentemente conflitantes e posturas polêmicas.
A linguagem
O editorial é tradicionalmente escrito em estilo literário. E o que seria isso? Digamos que é aquele em que o pensamento está bem revestido de linguagem, podendo ser considerado uma peça literária! E um editor talentoso, com seu toque único, pode tornar até mesmo uma questão enfadonha em um texto vibrante!
No entanto, o editorial deve também expressar uma postura firme e opinião equilibrada sobre algo. Assim, o pensamento pode ser embelezado pela linguagem, não afogado nela. Ou seja, a linguagem é um acessório importante, mas nunca o principal.
O sabor do feito
Assim como a sobremesa após uma refeição, o editorial deve deixar um sabor final agradável! Para isso, a matéria deve ser suficientemente breve e divertida para prender a atenção e para que o assunto principal seja absorvido. Deve propiciar que o leitor se sinta esclarecido e capaz de formar sua própria opinião sobre um tema. Embora um bom editorial expresse uma opinião, ele não a força goela abaixo. É sutil e apela para o bom senso do leitor, sem forçá-lo a seguir sua linha. Este é o seu verdadeiro desafio!
O sentimento esperado depois de ler um bom editorial é de profundidade, esclarecimento e reflexão sobre um assunto complexo, com aquela sensação de que valeu a pena a leitura! E despertando no leitor a vontade de ler mais editoriais semelhantes!
Referência:
Ajai Singh, Shakuntala Singh. Mens Sana Monogr. 2006;4(1):14–17.